MORTE DO POETA E VIOLEIRO AMARO DIAS DEIXA CULTURA NORDESTINA DE LUTO

by - junho 27, 2022

 

A cidade de Santa Cruz do Capibaribe está de luto, sobretudo, a cultura chora pela perda de um dos seus ícones. Faleceu na manhã de ontem (Domingo), em um hospital na cidade de Campina Grande (PB), o poeta e Amaro Dias. Ele  vinha sentindo fortes dores no estômago, precisou ser submetido a uma cirurgia, mas não resistiu e faleceu. 

Amaro Dias fez história também na comunicação, sendo o mais antigo a estar no ar na radiofonia local, tendo seu programa na Rádio Vale FM, desde sua fundação nos tempos de rádio AM.

BIOGRAFIA – AMARO DIAS 


Amaro Paulo Dias nasceu em 21 de setembro de 1934, no sítio Paquivira, município de Taquaritinga do Norte, Pernambuco. Filho do casal de agricultores Joaquim Dias de Miranda e Severina Maria da Conceição. Residiu na Paquivira até os 20 anos de idade, mas em virtude das dificuldades de arranjar trabalho naquela época viajou para São Paulo em busca de sobrevivência, onde permaneceu até os 28 anos. Casou-se em 1965 com a brejeira Cleonice Gonçalves com quem vive até hoje. Desse casamento nasceram sete filhos: Claudenice, Cloves, Carlos, Claudio, Claudemir, Clécio Dias e Cleber.


Em São Paulo iniciou sua carreira de violeiro-repentista, mas o sentimento de saudade da terra natal aflorou e ele voltou a Taquaritinga do Norte. Em 1963 fez parte do programa "A Voz do Sertão" na Rádio Difusora de Caruaru, ao lado José Vicente da Paraíba e Aristo José dos Santos, ambos falecidos. Em 1968, aproximadamente, foi morar em Campina Grande onde substituiu, por um bom período, o repentista José Gonçalves (já falecido). Nessa época, Amaro Dias fez dupla com Cícero Bernardes, já falecido. Nesse mesmo ano foi residir em Pesqueira onde apresentou, ao lado de José Vicente da Paraíba e do cantador José Andorinha, um programa de cantoria.


Em Belo Jardim, na Rádio Difusora Bituri, apresentou outro programa de violeiros ao lado de Manuel Pedro Clemente (poeta cego) e Manoel Paulino. Anos depois, se mudou para Santa Cruz do Capibaribe e criou o Violeiros do Vale, na Rádio Vale do Capibaribe, programa que entrou no ar no mesmo dia que a rádio foi inaugurada, 29 de dezembro de 1985. Neste programa, cantaram com ele José Bonifácio, José Luiz, Heleno Severino, Francisco de Assis, Roberto Queiroz, Louro Branco, Francisco de Assis, Zé Vicente da Paraíba, Paulo Jorge, Moreira do Caldeirão, entre outros. Cumpre registrar, também, cantou com Ivanildo Vila Nova, Oliveira de Panelas, João Furiba, Manoel Basílio, Raimundo João, Laranjinha, entre tantos outros.


Em Pesqueira, participou de um programa na TV Pernambuco representando a cidade. Participou dos primeiros congressos de violeiros realizados em Campina Grande, tendo, inclusive, um de seus versos publicados num livreto sobre cantoria escrito por Bráulio Tavares, quando cantou com Manuel Pedro Clemente, num congresso de violeiros em 1975. Em 2008 fez uma apresentação na Rede Globo cantando as belezas e o abandono do Rio Capibaribe, tendo sido entrevistado pelo jornalista Francisco José.


Dentre os poemas que escreveu destacam-se “A Morte de Zé Jorge”, em parceria com Zé Vicente da Paraíba, “Teu Aniversário”, “A Morte de Heleno Severino”, “A Mãe Desaparecida”, entre tantos outros. No entanto, sua marca foi sempre os versos improvisados, com os quais se destacou em cantorias e congressos.


Entre tantos versos improvisados pelo poeta Amaro Dias pelo Nordeste afora, cantava com o poeta Roberto Queiroz, no sítio Porteiras, em Caraúbas, Paraíba, quando o vereador "Madruga" pediu que os repentistas cantassem o seguinte mote:


“Prefiro viver distante

Do povo civilizado!” 


Amaro Dias agitou os expectadores com uma linda estrofe:


“Cada um fique na sua

Deixe eu viver do que planto

Que eu não vou morar num canto

Que uma jovem quase nua...

Dança no meio da rua

Mostrando o bumbum pelado

E o pai fica de lado

Achando aquilo importante

Prefiro viver distante

Do povo civilizado!”


O poeta Galego Aboiador se recorda de um verso improvisado por Amaro Dias numa cantoria com o grande poeta João Furiba, este assim findou suas rimas:


“Das coisas boas da vida

Eu inda sou o melhor...” 


Amaro Dias respondeu:


“Furiba tu és pior

Que rural velha de rede

Mulher que chifra o marido

Gozo de pé-de-parede

Quarenta dias de fome

E cinquenta dias de sede” 


Estes são apenas uma mostra dos muitos improvisos deste conhecido e querido poeta, Amaro Paulo Dias.


Crédito das fotos:

1a Foto BLOG DO NEY LIMA

2a Foto BLOG MERECE DESTAQUE

You May Also Like

0 comments